Em Pauta

Dia da Mulher e um alerta para a coluna vertebral

No próximo 8 de março é celebrado o Dia da Mulher, quando, além de diversas homenagens, muitos serviços de saúde aproveitam a data para chamar a atenção do público feminino para a necessidade de cuidados com a saúde física e emocional. E sobre este aspecto, o neurocirurgião especialista em coluna vertebral, pela UNIFESP, Dr. Alexandre Elias, alerta para alguns dos fatores biológicos e hábitos mais comuns das mulheres, que costumam interferir negativamente para a saúde de sua coluna.

“Além de apresentar uma estrutura física mais delicada que o homem, a mulher também sofre interferências hormonais durante várias fases da vida que somam aos efeitos de sobrecarga à coluna. Os dois períodos que mais precisam de atenção ocorrem durante a gravidez e a menopausa”, explica o médico.

Visando auxiliá-las a evitar doenças, dores e problemas na coluna vertebral, o especialista, que também é membro da Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral, lista algumas dicas de postura e de realização de atividades cotidianas:
Gravidez: Quando grávida, a mulher apresenta mudanças importantes em seu organismo e sua estrutura óssea se torna mais maleável para atender a necessidade de abrigo do feto em crescimento. Este processo, somado ao aumento de peso, da barriga e do corpo como um todo, costuma gerar dores lombares, algumas delas até incapacitantes. Para evitar tais dores, o médico recomenda que a mulher não ganhe peso em excesso e faça atividades de reeducação e fortalecimento postural durante a gestação, sempre em alinhamento com o seu obstetra.

Menopausa: O maior problema está na desmineralização dos ossos, que acarreta com certa frequência na osteoporose. Esta degeneração óssea predispõe a fraturas, que infelizmente são as manifestações clínicas mais frequentes desta doença, que é tratada com medicamentos e atividades para fortalecimento da musculatura.

Salto alto: O uso excessivo de sapatos com o salto muito alto pode encurtar os músculos e tendões e afetar os joelhos. Além disso, por conta do calcanhar ficar elevado, o peso do corpo é impulsionado para frente, prejudicando a postura e alinhamento da coluna vertebral.

Peso excessivo em bolsas: É sabido que a vaidade da mulher costuma ser medido pelo volume de “acessórios” em sua bolsa. O resultado mais comum é o desalinhamento de ombros e a piora dos sintomas da escoliose, devido ao sobrepeso mal dividido em apenas um lado do ombro.

Atividades do lar: Por último, mas não menos importante, está a lista de atividades do lar, em que poucos se atentam para a postura e pesos carregados nas tarefas diárias, especialmente da limpeza pesada. O médico adverte que atividades aparentemente inofensivas, como passar a roupa, varrer o chão e lavar roupa, demandam força e esforço da coluna e precisam ser realizadas corretamente para evitar complicações ou o surgimento de sintomas de outras doenças da coluna já instaladas, como a hérnia de disco e sua famosa dor ciática.

Para finalizar, o médico lembra que dor na coluna de forma persistente, sem causa aparente, deve ser investigada por um especialista, pois quanto antes diagnosticada, melhor será tratada. “A melhor maneira de cuidar da saúde ainda é pela prevenção, que se baseia em ações bem simples que podemos e devemos praticar em todas as nossas atividades cotidianas”, explica Dr. Alexandre Elias.

Fonte para entrevista:
Dr. Alexandre Elias foi chefe do setor de cirurgia da coluna vertebral no Departamento de
Neurocirurgia da Unifesp (2010 a 2015) e, desde 2007, atuou como preceptor de cirurgia de coluna vertebral no Departamento de Neurocirurgia da Unifesp desde 2007. Membro do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho membro do Centro de Dor e Coluna do Hospital 9 de Julho, desde 2001
Especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), pela Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral (SBC), mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e research fellow em cirurgia da coluna vertebral na University of Arkansas for Medical Sciences (EUA).