Em Pauta

10 de Março - Dia Mundial do Rim

Prevenção na infância é a melhor estratégia para garantir adultos mais saudáveis

No próximo 10 de março é comemorado o Dia Mundial do Rim, que este ano tem como foco a criança com a mensagem: “Prevenção da doença renal começa na infância”, motivada pelo aumento de diagnósticos de doenças relacionadas a este grupo etário e ao fato de que grande parte das doenças renais que acometem milhares de pessoas em todo o mundo terem origem na infância.

Segundo a nefrologista pediátrica da UNIFESP e da MBA Pediatria, embora todos os alvos de atenção estejam focados na epidemia de doenças relacionadas à dengue, não podemos descuidar da necessidade de atendimento de outras doenças que tem avançado sobre a população nos últimos anos, com consequências importantes para toda a sociedade e onde se destaca a Doença Renal Crônica (DRC).

“Nas crianças, a partir do nascimento até os 4 anos de idade, a insuficiência renal tem como causa a hereditariedade, como doença policística dos rins, ou quando o bebê nasce com apenas um rim ou com rins com estruturas anormais. Dos 5 aos 14 anos, além dos aspectos hereditários, podem ocorrer infecções, síndrome nefrótica (conjunto de sintomas devido a perda de proteína na urina e água e sal com retenção no corpo), doenças sistêmicas (lúpus, por exemplo) e bloqueio de urina ou de refluxo (problemas do trato urinário e na bexiga). Dos 15 aos 19 anos a maior incidência ocorre devido a doenças nos glomérulos, a unidade funcional dos rins”, explica dra. Maria Cristina.

A especialista adverte que os danos nos rins são evitáveis e, por isso mesmo, é imprescindível ter campanhas educativas que propiciem a detecção precoce e os devidos tratamentos em tempo hábil, especialmente porque as doenças renais infantis, se não tratadas, evoluem na fase adulta para seu estágio final, com consequências muito importantes na qualidade de vida, culminando na morte precoce.

Os aspectos econômicos da doença também são consideráveis, sobretudo quando se prevê uma deterioração nas economias globais, com viés não muito promissor para o futuro.

Cerca de 1 em cada 10 pessoas tem algum grau de DRC. A alta prevalência de doença renal tem aumentado os custos dos tratamentos, tal como uma epidemia, representando um fardo para os sistemas de saúde em todo o mundo, incluindo no Brasil. “Somos uma sociedade miscigenada, com variada composição étnica, em grande parte formada por afrodescentes e índios – grupos de maior prevalência da doença, assim como mulheres e idosos. Como em todo mundo, os idosos estão compondo a maior parte da nossa pirâmide social, e as mulheres hoje têm importante papel no mercado de trabalho. Se pensarmos em previdência e em pessoas economicamente ativas, temos um problema para solucionar hoje e ainda mais no futuro. Daí pensar na prevenção desde a infância, até mesmo como modelo sustentável do ponto de vista econômico”, descreve a nefropediatra da MBA Pediatria.

De acordo com a National Kidney Foundation, organização norte-americana para a conscientização, prevenção e tratamento da doença renal, o tratamento da DRC custa mais que os de câncer mama, pulmão, cólo juntos. Também nos Estados Unidos, o tratamento da DRC ultrapassa os US$ 48 bilhões por ano, consumindo 6,7% do orçamento total do órgão sistema de saúde americano, para tratar menos de 1% da população coberta.

Na Austrália, a estimativa é de US $ 12 bilhões; na China, a economia vai perder US$ 558 bilhões na próxima década devido a mortalidade e incapacidade das pessoas com doenças cardiovasculares e renais crónicas; no nosso vizinho Uruguai, o custo anual de diálise é de cerca de US$ 23 milhões. Pior ainda o que acontece em muitos países africanos, onde há pouco ou nenhum acesso ao tratamento e as pessoas simplesmente morrem. No grupo de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos de insuficiência renal não tratada.

Ao escolher como tema global para o Dia Mundial do Rim de 2016 - “Prevenção da doença renal começa na infância” -, todos os serviços públicos e particulares devem enfatizar o alerta à população para a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, seus fatores de risco e estimular a prevenção e os cuidados com a saúde dos rins. “A doença renal crônica em crianças traz consequências devastadoras para o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Mas, se diagnosticada a tempo, é possível adotar medidas apropriadas para que a doença seja retardada”, concluí a nefropediatra Maria Cristina de Andrade.

Sobre a Doença Renal Crônica (DRC)

- As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas;

- Se não for detectada e tratada precocemente, a DRC pode evoluir para insuficiência renal, o que pode requer diálise ou transplante no futuro;

- As Doenças Renais Crônicas desencadeiam outros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames);

- O tratamento da DRC é de alta complexidade, caro e trabalhoso;

- A doença renal crônica precoce não tem sinais ou sintomas iniciais;

Informações úteis

- Urine constantemente. Não segure o xixi;

- Evite alimentos com muito sódio (encontrados em produtos industrializados, embutidos, condimentados em geral) que sobrecarregam os rins, dificultando o seu funcionamento;

- Os rins filtram os resíduos e fluidos extras do sangue e mantém o equilíbrio químico do corpo;

- Os rins ajudam a controlar a pressão arterial e a manter os ossos saudáveis;

Fonte para entrevista:

Dra. Maria Cristina de Andrade - Nefrologista pediátrica da MBA Pediatria, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”. Realizou parte de sua pós-graduação pela Pediatric Nephrology Service da University of California – Los Angeles (UCLA). Exerce atividades pedagógicas e de coordenação com alunos do segundo, terceiro e quarto ano de medicina da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Dedica grande parte de seu tempo à redação de artigos científicos e participação como palestrante em simpósios nacionais e internacionais do segmento.