Em Pauta

Pokémon Go em excesso pode prejudicar a coluna

Mal chegou ao Brasil e o game Pokémon Go já é febre entre crianças e adultos. Com a proposta de fazer com que as pessoas saiam às ruas na caça dos seus personagens em realidade aumentada, o jogo tem sido apontado como favorável ao combate do sedentarismo, mas, como nada é perfeito, também tem seus contras, conforme alerta o neurocirurgião especialista em coluna vertebral pela UNIFESP, Dr. Alexandre Elias. “As pessoas têm passado horas demais manuseando seus smartphones e, agora com o joguinho, o uso tem se intensificado, favorecendo lesões por esforços repetitivos (LER) e dores na coluna vertebral e cervical”.

Dr. Alexandre Elias ressalta a necessidade de mais atenção para quem já tem tendência a problemas de coluna, como hérnia de disco. Segundo ele, todos estão sujeitos à doença, devido ao quadro degenerativo (e natural) da coluna ao longo da vida, porém, alguns fatores podem antecipar seu aparecimento, como o vício de postura errada e a sobrecarga nas costas. “Quando ficamos com o celular nas mãos, e nos posicionamos, erroneamente, com a cervical baixa, temos um esforço triplicado da musculatura para suportar o peso da cabeça, pressionando o local, podendo gerar dor”.

Em geral, o quadro da hérnia é assintomático em seu estágio inicial, mas com o tempo e o agravamento do quadro, começam a surgir dores que irradiam para os braços, com amortecimento ou perda de forças.

“O tratamento das hérnias, normalmente, é clínico, com medicação e fisioterapia. Somente alguns casos necessitam de um procedimento cirúrgico. Estes, por sua vez, são mais modernos que técnicas convencionais, consistindo em pequenas incisões e uma recuperação mais rápida para o paciente”, explica o neurocirurgião.

O médico aconselha aos jogadores a terem atenção à postura durante o uso dos smartphones. “A cabeça deve permanecer erguida e o braço levantado para facilitar a visualização do conteúdo em tela sem esforço da cervical. Controlar o tempo em frente ao celular também é essencial”.

Por último, Dr. Alexandre Elias lembra que os cuidados vão além, já que é preciso muita atenção e bom senso para não ser vítima de quedas, batidas e sofrer e ocasionar acidentes enquanto o jogador está caçando Pokémons.

Fonte para entrevista:
Dr. Alexandre Elias é e especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), pela Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral (SBC), mestre pela Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) e research fellow em cirurgia da coluna vertebral na University of Arkansas for Medical Sciences (EUA).
É membro do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho membro do Centro de Dor e Coluna do Hospital 9 de Julho, desde 2001
Chefiou o setor de cirurgia da coluna vertebral no Departamento de Neurocirurgia da Unifesp (2010 a 2015).