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FIBRILAÇÃO ATRIAL, ARRITMIA CARDÍACA COMUM NA POPULAÇÃO, TEM PAPEL IMPORTANTE NA GÊNESE DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA NAS MULHERES

Hipertensão arterial tem aumentado a incidência de doença cardiovascular no sexo feminino, em associação com os fatores de risco, como obesidade, diabetes e dislipidemia, por falta de atividade física regular

No panorama geral das doenças cardiovasculares que afetam o sexto feminino, a insuficiência cardíaca (IC), lesões no músculo cardíaco ou nas válvulas cardíacas, tem chamado atenção de diversas entidades de saúde em todo mundo. A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) alerta para os casos crescentes. Entre outros fatores, a Fibrilação Atrial (FA), arritmia cardíaca comum na população em geral e associada aos inúmeros casos de Acidente Vascular Encefálico (AVE), tem papel preponderante entre as mulheres

A insuficiência cardíaca é uma doença grave, crônica e com tendência a agravar-se com o tempo. Eventualmente, pode encurtar a sua vida. As causas variam de acordo com o sexo, sendo a doença arterial coronariana mais incidente nos homens, enquanto a hipertensão arterial é a principal causa entre as mulheres.

Dados do Breathe, 1º Registro Brasileiro de Insuficiência Cardíaca (Breathe, do inglês Brazilian Registry of Acute Heart Failure), de 2015, apontam que 40% dos cerca de 1.270 pacientes pesquisados, internados em 51 hospitais públicos e privados em 21 cidades brasileiras, morreram. A IC acomete mais a terceira idade (idade média dos pacientes em torno de 64 anos) -, sendo 73,1% acima de 75 anos e 60% mulheres. Embora a doença possa se desenvolver-se em qualquer idade, é causa mais comum de internação em doentes com mais de 65 anos. Entre os idosos é alta a taxa de mortalidade.

Segunda a Diretora do Departamento da Mulher da SOBRAC, a cardiologista Erika Olivier, em 2013, 53,3% das mortes por hipertensão arterial sistêmica (HAS) ocorreram nas mulheres, que experimentam outros problemas como a obesidade, diabetes e dislipidemia, por se exercitarem menos que os homens. A hipertensão também é provocada e adquirida com a gestação, após a menopausa e à exposição cada vez maior ao tabagismo. “Todos esses fatores associados à hipertensão têm aumentado a incidência de doença cardiovascular nas mulheres. Em particular, as arritmias cardíacas têm um papel importante na gênese na insuficiência cardíaca no sexo feminino, principalmente a fibrilação atrial”, comenta a cardiologista.

A médica ressalta ainda que, embora a prevalência da fibrilação atrial seja maior nos homens do que nas mulheres com a mesma idade, há mais mulheres com mais de 75 anos do que homens, o que faz com que o número absoluto de mulheres com fibrilação atrial seja igual ou maior do que nos homens.

A hipertensão arterial (HAS) não controlada aumenta o risco para o surgimento de arritmias cardíacas, que podem causar, precipitar ou agravar a insuficiência cardíaca. A HAS é a responsável por quase 50% dos casos. “Mais sintomática e recorrente, a fibrilação atrial causa o aumento da frequência cardíaca nas mulheres, sendo preponderante nos casos de insuficiências cardíaca”, explica a Diretora do Departamento da Mulher da SOBRAC.

Nos Estados Unidos, 3 milhões de mulheres são portadoras de IC e 475mil novos casos são diagnosticados por ano. A maioria dos recursos com cuidados em saúde são usados nos poucos anos de vida finais e a hospitalização por IC é uma das maiores condições médicas que influenciam nesta despesa. No caso das mulheres em particular, o maior problema ocorre na prevenção primária, que vai desde a identificação dos fatores de risco a estratégias de modificação destes, com prevenção do desenvolvimento da doença.

Bebidas alcoólicas e fatores de risco
Tanto a SOBRAC quanto outras entidades médicas internacionais alertam para a prevenção da insuficiência cardíaca, iniciando com a identificação de mulher com hipertensão, tabagistas, dislipidêmicas, com história de doença cardiovascular, obesas, sedentárias, com dietas pobres em nutrientes, com síndrome metabólica, aterosclerose subclínica, portadora de arritmias. Para a cardiologista Erika Olivier, intervir sobre os maiores fatores de risco e modificar aqueles passíveis de modificação deve ser um dos principais objetivos nos cuidados da saúde cardiovascular das mulheres.

Embora os dados a respeito do alcoolismo entre mulheres sejam pouco divulgados, os cardiologistas apontam como um sinal de alerta no que tange os cuidados com a saúde cardiovascular. O controle ou a eliminação de ingestão de bebida alcoólica deve ser um fator importante de prevenção. Cada vez mais comum entre as mulheres, o álcool pode levar à insuficiência cardíaca pois, em excesso, aumenta a pressão arterial, contribui para a obesidade e para os casos de acidente vascular encefálico (AVE).

A American Heart Association (AHA) indica que não se consuma bebida alcoólica e, se o fizer, recomenda para as mulheres não mais que uma dose diária (340mL de cerveja, 114mL de vinho e 43mL de bebida destilada). Além de contribuir para os fatores de risco das doenças cardiovasculares, o álcool em excesso também pode levar à cardiomiopatia alcoólica, provocada pela toxicidade no álcool no músculo cardíaco, contribuindo para a disfunção diastólica do coração - quando o coração está relaxado ou relaxando-se após uma contração - e para o quadro clínico de insuficiência cardíaca.

Tratamento
A hipertensão e a dislipidemia devem ter seus níveis controlados, seja por medidas não farmacológicas, como atividade física, dieta pobre em sódio e gorduras saturadas, ou farmacológicas, por meio de medicamentos específicos e com controle médico adequado e regular.

O tratamento da IC é complexo e multifacetado. Não existe um tratamento único, e sim coadjuvantes. Os betabloqueadores são os fármacos de maior impacto em pacientes com insuficiência cardíaca, com benefícios clínicos na mortalidade global, na morte por insuficiência cardíaca e na morte súbita cardíaca (MSC). Os betabloqueadores também têm indicação na terapia adjuvante ao cardiodesfibrilador implantável (CDI), o que aumenta a sua eficácia na redução da morte súbita.

A cirurgia da válvula mitral em pacientes com disfunção ventricular esquerda e grave insuficiência pode aliviar os sintomas de IC em pacientes selecionados; a cirurgia de revascularização miocárdica pode ser realizada naqueles indivíduos com IC isquêmica e musculo viável, na tentativa de melhorar os sintomas associados à disfunção sistólica (contração) e disfunção diastólica (relaxamento do coração).

O tratamento deve ser conduzido por um cardiologista após a instalação da insuficiência cardíaca. No entanto, o clínico geral tem papel fundamental na identificação e prevenção dos fatores de risco que levam à doença, como tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, alcoolismo, além de ações de prevenção e tratamento farmacológico e não farmacológico, para os fatores modificáveis por meio de ações de orientação e conscientização da população de risco.

Jogo Rápido

Insuficiência Cardíaca (IC)
- Lesões no músculo cardíaco ou nas válvulas cardíacas;
- Condição grave, em que o coração não bombeia sangue para o corpo tão bem quanto deveria, deixando de fornecer nutrientes e oxigénio suficientes ao organismo;
- Normalmente, desenvolve-se em pacientes que têm ou tiveram doença nas artérias coronárias e ataque cardíaco/enfarte do miocárdio, que deixaram lesões ou provocaram esforço demasiado ao coração;

Sintomas
- Cansaço e fatiga - quando o coração não consegue eliminar resíduos corretamente, leva à acumulação de líquido nos pulmões e em outras partes do corpo, como as pernas e abdómen;
- Taquicardia
- Bradicardia acentuada

Fatores de Risco
- Arritmias Cardíacas - importante na gênese na insuficiência cardíaca no sexo feminino, principalmente a fibrilação atrial
- Hipertensão (também provocada e adquirida na gestação, após a menopausa e exposição ao tabagismo e alcoolismo;
- Obesidade
- Dislipidemia
- Tabagismo
- Diabetes
- Sedentarismo
- Alcoolismo (excesso de bebida alcoólica pode levar à cardiomiopatia)
- Histórico familiar de doença cardiovascular
- Dietas pobres em nutrientes
- Síndrome metabólica
- Aterosclerose subclínica
- Falta de ar (dispneia)
- Retenção de líquidos

Prevenção e Tratamentos
- Atividade física
- Redução do sal na alimentação e de gorduras saturadas
- Farmacológico (betabloqueadores)
- Não farmacológica (entre outros, aliviar os sintomas relacionados à arritmia cardíaca e melhorar a qualidade de vida)
- Controle médico adequado e regular

Incidência
- Fibrilação Atrial - maior número de casos em mulheres com mais de 75 anos (em números absolutos)
- Desenvolve-se em mulheres com pressão arterial elevada e não controlada

#DiaInternacionaldaMulher

Sobre a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas: http://www.sobrac.org/publico-geral/?page_id=28

Site SOBRAC: www.sobrac.org