Em Pauta

Hérnia Inguinal, Fissura Anal, Hemorroidas... Outras doenças que também acometem o sexo masculino

O Novembro Azul, tão celebrado pela prevenção e combate ao câncer de próstata, traz benefícios paralelos ao ajudar no alerta para outras doenças que acometem o sexo masculino. Algumas delas necessitam apenas de simples cuidados, mas que se não avaliadas por um especialista e tratadas a tempo podem se tornar um problema cotidiano, social e até interferir nas as relações sexuais.

“Mesmo que aparentemente não represente um caso grave, postergar o diagnóstico e o tratamento pode agravar o quadro clínico da doença. Além disso, procurar um médico evita que o problema se agrave e que o paciente tenha que conviver com um incomodo desnecessário no seu dia a dia”, explica o gastroenterologista Renato de Araújo Pereira, da clínica Gastroinclusive, especialista pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e membro da Society for Surgery of The Alimentary Tract.

A hérnia inguinal é uma delas. É comum em todas as faixas etárias, com maior predominância em indivíduos acima dos 60 anos. No Brasil, estima-se 2 milhões de casos ao ano. “A hérnia corresponde ao escape de um órgão, geralmente intestino ou gordura, por um ponto mais fraco decorrente de falha na musculatura da parede abdominal. Normalmente, pode ser diagnosticada pelo próprio indivíduo”, diz o gastroenterologista Renato de Araújo Pereira.

As causas podem ser por esforço em demasia - comum em praticantes de musculação e halterofilismo, por exemplo -, ou ainda em pacientes tabagistas, obesos e com histórico familiar, vinculada à tosse crônica e/ou decorrente de doenças da próstata que aumentam o esforço ao urinar.

Existem vários tipos de hérnias, mas a mais prevalente é a inguinal, que ocorre na virilha. O mecanismo que faz surgir esta hérnia é proveniente do desenvolvimento dos testículos, quando abre-se um conduto por onde escapa conteúdo de dentro da barriga, formando um abaulamento - a hérnia. Pode ocorrer também pelo enfraquecimento do músculo da parede abdominal.

O tratamento é cirúrgico, geralmente com reforço da parede abdominal, com suturas e telas especiais. A hérnia inguinal pode durar muitos anos, tendo como incômodo maior a dor. As chances de cura são altas, em torno de 98%. No entanto, apenas um especialista determinará a necessidade ou não da cirurgia. Em casos mais graves, e se não tratada, pode haver complicações, inclusive com risco de morte.

Outros incômodos que afetam muitos homens em todas as idades são as chamadas doenças orificiais do aparelho digestivo, como a fissura anal e a hemorroida. A incidência na população geral é em torno de 5% e, geralmente, atinge pessoas na faixa entre a terceira e a quinta década de vida.

A fissura anal é uma úlcera, um pequeno machucado, como um lábio rachado na mucosa do canal anal, que ocorre em grande parte das vezes pelo atrito causado por evacuação ressecada, uso excessivo de papel higiênico e falta de uma correta higiene anal. Também pode acontecer por trauma na região, como as fissuras causadas pela prática do sexo anal, sobretudo quando não há lubrificação adequada.

Um fator comum da fissura anal e da hemorroida é a constipação intestinal, popularmente conhecida como “prisão de ventre”, que ocorre quando o paciente evacua com pouca frequência - uma vez a cada três ou quatro dias ou mais -, ou sob grande esforço, com fezes excessivamente duras e pequenas. Pode provocar dor, sangramento nas evacuações e coceira local.

A fissura anal costuma ser mais dolorida do que a hemorroida. Neste caso, uma das precauções é fazer a higienização da região com água, após as evacuações, diminuindo o atrito causado pelo papel higiênico. Os banhos de assento com água morna e medicamentos de uso tópico devem ser indicados por um médico.

O tratamento das doenças orificiais é muito eficaz quando adotados melhores hábitos de higienização e alimentares, ou seja, dieta rica em fibras e boa hidratação, que melhoram a consistência das fezes e aumentam a frequência evacuatória.

Apena 10% dos pacientes com fissura anal deverão passar por procedimentos cirúrgicos, sobretudo quando a úlcera evolui e torna-se crônica. A técnica usada é a esfinterectomia, um corte de uma pequena porção do músculo do esfíncter anal. Este procedimento tem boa cicatrização em 90% dos casos, embora possa causar incontinência em 5% dos pacientes, mas esta condição normalmente regride com o passar do tempo.

Hemorroidas
As hemorroidas são veias dilatadas ao longo do canal anal que quando sofrem um trauma se rompem e sangram. Também podem ser corrigidas com mudanças higiênico-dietéticas. Quanto a higienização da região, pode ser feita com água, após as evacuações, reduzindo o atrito causado pelo papel higiênico. Alimentação, um dos fatores preponderantes, deve ser rica em fibras e o paciente precisa evitar o consumo de pimenta, curry e outros condimentos apimentados. A boa hidratação melhora a consistência das fezes e aumento da frequência evacuatória.

Além dos fatores gerados pela constipação intestinal, a hemorroida também ocorre por aumento da pressão abdominal, o que leva ao aumento da pressão nos vasos anais, como acontece comumente em grávidas e pessoas obesas. Na terceira idade, a hemorroida tende a se agravar, pois as veias localizadas na região anal perdem a complacência, a capacidade de elasticidade e, por isso, se dilatam com mais facilidade.

O tratamento das hemorroidas menores é clínico, enquanto que nas maiores a cirurgia (hemorroidectomia) é a melhor opção. Casos mais simples podem ser solucionados com cuidados caseiros, como o uso de medicamento tópicos, pomadas com corticoides que ajudam a reduzir a dor e o inchaço, ou com lidocaína, que reduz a dor, e com emolientes, que diminuem o esforço e a constipação. Os banhos caseiros de assento com água morna também são indicados.

Alternativas cirúrgicas e não-cirúrgicas - A melhor opção não-cirúrgicas é a coagulação infravermelha, um procedimento rápido e com baixos índices de complicações. Outro procedimento não-cirúrgico é a intervenção com injeções nas veias inflamadas para diminui-las.

Os principais tratamentos cirúrgicos são a ligadura elástica e a hemorroidectomia, este considerado como tratamento “padrão” e indicado para pacientes que sentem muitas dores; a hemorroidectomia é necessária também quando a hemorragia grave não cessa com tratamentos caseiros e não-cirúrgicos. No caso da ligadura elástica, que consiste em amarrar alguns elásticos na base das veias inflamadas para cortar a circulação, em poucos dias as hemorroidas caem sozinhas durante a evacuação.

O câncer de próstata merece atenção constante, principalmente a partir dos 40 anos, no caso de paciente que têm histórico familiar. Mas é preciso prestar atenção em todas as demais doenças muito prevalentes no sexo masculino. “Às vezes, com atitudes bem simples, como mudanças de hábitos e avaliação médica recorrente, é possível viver com saúde e manter uma excelente qualidade de vida”, finaliza o gastroenterologista Renato de Araújo Pereira, da clínica Gastroinclusive.